sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Era uma casa bem chinesa, com certeza…

Aqui na China, moro em um apartamento que fica dentro da Universidade onde trabalho. Essa Universidade tem um prédio inteiro dedicado aos professores estrangeiros - já que muitos vêm para trabalhar na própria Universidade ou na escola de inglês que pertence ao reitor. E, como professores estrangeiros, preciso dizer que somos bem sortudos com relação à moradia.

A primeira questão é que, diferentemente dos alunos, nós não somos obrigados a dividir dormitório com outras pessoas (os dormitórios femininos têm 8 meninas e os masculinos, 6 meninos). Depois, o fato de termos um apartamento bastante confortável - com sala, quarto, cozinha, banheiro. E, por último mas não menos importante, o fato de termos um chuveiro só para nós, enquanto os alunos têm que pagar 8 yuans para tomar banho em um chuveiro comunitário (quantas vezes por semana eles gastam esses 8 yuans é uma pergunta que prefiro não fazer).

Nossos sapatos.
O nosso apartamento, como nos foi dito no primeiro dia, é nosso lar. Temos a liberdade de fazer quase tudo o que quisermos aqui, desde pendurar quadros na parede até mudar todos os móveis. Podemos, inclusive, ter animais de estimação (embora essa permissão nunca tenha sido realmente expressa, vários professores têm cachorros), como o nosso gato, Jaime. É o nosso cantinho, o lugar onde nos sentimos realmente em casa.

Uma casa chinesa. Mas como não somos chineses, nem eu nem o John, poucas coisas dentro da nossa casa realmente indicam que estamos na China.
A primeira delas, a que você encontra logo de cara, é o armário de sapatos que fica… ao lado da porta da sala. Como vocês devem saber, é um hábito oriental tirar os sapatos e calçar chinelos ao entrar em casa, para não trazer a sujeira da rua. Sempre achei este um hábito excelente, pois mantém a casa limpa por mais tempo - além de ser muito mais confortável usar chinelos do que sapatos dentro de casa. Portanto, em qualquer casa chinesa que se preste haverá um armário - grande ou pequeno - de sapatos logo ao lado da porta, com inúmeros pares de chinelos de vários tamanhos para as visitas.

Jogo de chá herdado da avó do John.
O segundo detalhe chinês você perceberá após entrar, quando nós - ou qualquer bom anfitrião chinês - lhe oferecermos uma xícara de chá (ou simplesmente servir uma para você). Chá é uma parte de tanta importância para os chineses que há lojas enormes especializadas em vender apenas chá. Verde, vermelho, branco… As cores e opções são muitas, e se você falar chinês sempre haverá uma vendedora pronta para dar uma aula sobre o melhor chá para cada ocasião. Chineses gostam tanto de chá que não saem de casa sem uma garrafa térmica cheia, e em qualquer lugar é possível conseguir um pouco de água quente para enchê-la novamente. Eu, particularmente, sempre fui uma adoradora de chás, então ao menos neste aspecto me sinto no paraíso por aqui.

Pratos como a gente conhece até existem,
mas não são muito usados.
Se você for convidado para um almoço ou jantar, verá o próximo detalhe de uma casa chinesa. Como é de se esperar, não existem talheres nem pratos como estamos acostumados. Para pôr a comida, tigelas, e para comer, palitinhos (ou hashi, embora eu não goste de usar esta palavra aqui por ser o nome japonês - o nome chinês é kuaizi). E os modos à mesa também são diferentes. Nada de deixar a tigela na mesa para comer; o jeito "certo" de comer é segurando a tigela próximo à boca com uma mão e usando os palitinhos com a outra (embora, para ser sincera, chineses são muito mais tranqüilos com relação a "etiqueta" à mesa, então o jeito certo de comer é como você se sentir mais confortável). Outra coisa é que os guardanapos aqui são substituídos por lenços de papel, então não estranhe quando o anfitrião te entregar uma caixa de lenços à mesa.

Melhor tanquinho
do que nada, né?
Agora o detalhe que não gosto. Para falar a verdade, o detalhe que odeio. Casas chinesas não possuem lavanderia. Sabe aquela área de serviço, com tanque, máquina de lavar, espaço para pôr produtos de limpeza, vassouras, bacias e baldes? Pois é… Esqueça. Esta área simplesmente não existe por aqui - e não é questão de eu morar em apartamento pequeno, não, estive em casas grandes onde havia espaço de sobra para lavanderia, mas a bendita não existia. 

Aí você me pergunta, "mas, Tati, onde é que chineses lavam as roupas?". Simples: no banheiro. A máquina de lavar - ou tanquinho, no meu caso - fica no banheiro, muitas vezes ao lado do chuveiro (sem box ou cortina) e você tem que se espremer para conseguir tomar um banho, e depois ainda secar a máquina/o tanquinho. Como eu gosto mesmo é de me sentir confortável durante um banho, aqui em casa o tanquinho fica na cozinha, indo para o banheiro só em dia de lavar roupa.

Jaime dando perspectiva à foto.
E, já que mencionei a (falta da) área de serviço, aqui vai mais um detalhe não muito legal de uma casa chinesa: o tamanho das vassouras. Sabem aquelas vassourinhas que vendem em loja de R$1,99 para crianças brincarem? Pois é, os cabos das vassouras aqui são mais ou menos daquele tamanho. O que significa que para varrer você precisa ou se agachar, ou segurar a vassoura pela ponta do cabo (e ainda assim se agachar um pouco). Não muito confortável ou eficiente, além de me causar uma bruta dor nas costas.

Mas é assim, mais chinesa ou menos chinesa, que estamos arrumando nossa casa. Semana passada finalmente compramos panelas e pratos, tigelas, talheres e palitinhos suficientes para recebermos eventuais visitas - na maioria das vezes comemos a comida da Universidade, que tem 5 refeitórios diferentes com uma variedade razoável de opções.

E assim encerro meu post de hoje. Prometo tentar postar com mais freqüência - ainda quero chegar à meta de duas vezes por semana. Até a próxima!

Obs.: Quase todas as fotos que ilustram este post - com exceção da foto da tigela com palitinhos, porque fiquei com preguiça de tirar os meus do armário - são fotos da nossa casa. Jaime até quis aparecer em uma delas para ajudar a dar uma noção melhor do tamanho real da vassoura - e, acreditem, todas as vassouras vendidas aqui são deste tamanho. A qualidade da foto não está lá essas coisas porque tive que diminui-las terrivelmente para conseguir driblar a internet instável e postá-las.


2 comentários:

Jaca e Litho disse...

Oi Tati,
Bom ouvir histórias sobre como é a casa de vocês ainda mais recheada de curiosidades sobre como é a vida aí perto da Mongólia, as tradições de um povo tããão diferente! Sempre é uma leitura agradável e engraçada. Damos boas risadas. O Jaime já cresceu bastante. Ele ainda escuta música escondido de vocês, ou luta contra os monstros do computador?
Dê lembranças ao John e diga que não esquecemos da foto do pai dele. O Litho vai precisar de outro tipo de foto, mas a quakquer momento coloco ele para escrever. Beijos, saudades Tia Jaca e Tio Litho

Christianne Leutwiler disse...

Olá Tati!
Na Itália a máquina também fica em banheiro, dependendo da casa. Quando mudei para o ap. da Capote, a máquina ficava no banheiro. Pense pelo lado positivo...
Não existe Vassoura com cabo mais comprido pra tirar teia de aranha? Se existir troca o cabo...hahaha
Bjs. Tia Chrise Tio Zé